segunda-feira, março 21, 2005

Pseudo-Untitled

Ela acordou meio de mau humor. Ele estava mais ou menos. Ainda não tinham abstraído a noite anterior, nem nenhuma das outras noites da semana, e o café estava aguado. Sempre tomavam o café da manhã naquele mesmo boteco e, ultimamente, a companhia um do outro não era lá muito agradável.
- Esse café tá uma merda. – ele falou, depois do terceiro gole e da terceira careta. Ela ainda não tinha tocado na comida. Ele estranhou. – Que que foi que tu ainda não tocou na comida?
Ela olhou pra ele do mesmo jeito da noite anterior. Ela fazia muito isso, esse olhar. Era como um aviso: sempre vinha um choro ou alguma má notícia depois dele. Ele não gostava nem um pouco, gelava ele por dentro.
- Eu tenho uma coisa pra te contar – ela disse.
- Puta merda, é má notícia – ele falou pra ele mesmo.
- Que que foi? – ela não tinha escutado.
- Nada, nada. Fala.
- Não. Eu quero saber o que tu disse.
Ele simplesmente odiava essa mania que ela tinha. Ele não podia sussurrar um "ai" pra ele mesmo que ela insistia em saber o que era.
- Adriana, eu não disse nada. Nada. Entendeu? Fala o que tu ia falar.
- O que foi que tu disse? – ela insistia. Odiava quando ele falava sozinho, parecia um louco.
- Tu vai falar ou não? – ele se indignou.
Ela deu um suspiro. Não se pode vencer todas.
- Então tá. – ela deu uma pausa, era difícil dizer o que ela ia dizer – Sabe o Paulo?
"Merda" – ele pensou. E se perdeu pensando coisas do tipo "Que será que ela vai falar do Paulo...".
- Luis Fernando, eu tô falando contigo...
- Ahn? Ah, sim, o... Paulo. O que que tem ele?
Ela deu outro suspiro. Tomou um gole do café aguado, que já estava frio. Fez uma careta.
- Esse café tá uma merda... – falou baixinho, pra ela mesma. Esperava ganhar tempo pra bolar um jeito de falar que não magoasse. Ele não escutou direito o que ela tinha dito.
- O que que tu disse?
Ela estava perdida nos pensamentos.
- Adriana, acorda... O que que tu disse?
- Ahn? Ah, nada não. Bobagem.
- Agora fala. Que que era? – ele simplesmente detestava quando ela falava sozinha, parecia uma maluca. E ele não queria falar no Paulo.
- Não, eu não vou dizer. Viu como é bom? Da próxima vez tu me fala primeiro, que daí eu te respondo direitinho.
- Ai, guria, te liga! – ele se largou na cadeira, cansado daquele climão. Quem sabe não era bom deixar ela falar no Paulo? – Que que tu ia dizer sobre o Paulo?
Ele olhou pra ela de um jeito que gelou ela por dentro. Ela achou que não ia dar pra escapar do assunto do Paulo.
- O Paulo? Ah, sim, o Paulo... é que... bom... é que...eu tô ficando com ele.
Ela se largou na cadeira como se tivesse tirado do corpo um peso enorme. Ele sentiu que levou um soco. Enquanto ele não abria a boca ela brincava com a xícara cheia de café aguado. Ele continuava quieto, pasmo. Ela achou que ele estava começando a perder a cor.
- Olha, Lu, eu sei que...
- Eu também – finalmente ele se refez do susto. Ela não escutou direito.
- Que que foi? – ela perguntou com a voz mais simpática que conseguiu fazer.
- Eu também.
- Como assim "eu também"?
- Eu também tô ficando com o Paulo!
- Quê?! – ela grita. O boteco inteiro fica em silêncio. – Como assim "tu também tá ficando com o Paulo"? Que palhaçada é essa?
- Eu é que pergunto! Que história é essa de tá ficando com o Paulo?
- Como é que é? Olha quem me cobrando! – Ela não queria dar o braço a torcer. Ele também não. Ela estava boba com o que ele tinha dito. Ele ainda estava tentando engolir aquela história. O boteco inteiro ouvia a discussão. Não era todo dia que se ouvia uma doidera dessas.
- Não dá pra acreditar! Minha namorada me traindo com o meu próprio amante!
- Ah, sim! E tu fala como se fosse a coisa mais normal do mundo! Tu tá me traindo com um homem! Um homem! E o pior: com o mesmo homem com que eu tô te traindo!
De repente caiu a ficha. Ela olhou pra ele. Ele olhou pra ela. Nem precisou falar nada pra eles se ligarem.
- Que filho da puta. – ele disse.
- Bicha desgraçada - ela concordou.
Os dois saíram juntos do boteco. Foram atrás do Paulo, que sequer imaginava que tinha se ferrado. Ela ia pensando que aquele puto estava comendo o seu namorado. Ele, pensando que aquela bicha estava comendo a sua namorada. Se deram as mãos. Dois lados iguais ligados num mesmo: o Paulo. O mesmo Paulo que tinha apresentado os dois. O mesmo cara que tinha incentivado o início do namoro. Quem esse filho da puta pensava que era, pra se meter entre eles?

domingo, março 20, 2005

Voltando...

Início de semestre lembra virada de ano: de uma certa forma, também fazemos algumas resoluções.
Na entrada de um novo ano, prometemos arranjar um emprego, voltar a estudar, fazer um regime, encontrar um grande amor...
No início do semestre, dizemos para nós mesmos que nunca mais deixaremos os trabalhos para o último dia, leremos todos os textos indicados, passaremos mais tempo na biblioteca do que na internet, não chegaremos atrasados nas aulas...
Resoluções em níveis bem diferentes, é verdade, pois ler todos os textos de uma disciplina não se compara nem de longe à felicidade de encontrar um grande amor, por exemplo. Mas, mesmo assim, são resoluções.

Somos movidos pelas metas que traçamos, pelos objetivos que pretendemos alcançar... Temos a necessidade de estipular para onde estamos indo, ter um norte, um guia, para que, depois de um determinado tempo, possamos olhar para trás e ver se conseguimos realizar aquilo que planejamos.
Não sei se para vocês é assim, mas para mim eu tenho percebido que sim. Gosto de ter os meus objetivos bem claros. Muitas vezes eles mudam ao longo do caminho. Muitas mesmo. Mas, nem por isso, deixo de saber aonde pretendo chegar.

É claro que a vida nos oferece surpresas. Boas ou ruins, elas sempre acontecem. E então, a questão é saber aproveitá-las, se forem positivas, ou tratar de superá-las, se não forem tão legais.
Gosto de me sentir assim: entusiasmada, disposta, empolgada. Estou com idéias bem claras do que procuro para favorecer o meu crescimento pessoal, intelectual e profissional. E, agora que acabaram definitivamente as férias, quero continuar colocando-as em prática, buscando os melhores resultados.

Mas, vou com calma. Pois nesses três meses e meio de 2005, já conquistei muito mais do que poderia imaginar. E a felicidade por isso é tanta que me impulsiona a correr atrás de tudo o mais que pretendo realizar, com energia e determinação. Afinal, agora eu sei que até mesmo os sonhos que parecem os mais impossíveis podem se tornar realidade.

Muitos Beijinhos!



quinta-feira, março 10, 2005

q coisa...

Bah, custou pra eu lembrar minha senha...

Que coisa esse negócio de senha... A gente tm senha pra imeil, senha pra cartão do banco... haja memória!!! E a memória da pobre Cacá aqui não anda lá das melhores... Como prova tm esse blog: esqueci completamente q ele existia... hehehe, mas vcs vão me perdoar, afinal, minha memória...

tentando voltar,
bjoks e pipoks!

sexta-feira, março 04, 2005

"a pérola é uma doença da ostra, o que não impede que a pérola seja mais bonita e preciosa que a ostra" '(Érico Verissimo)

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